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CONTRATO DE COMPRA DO NOVO RELÓGIO DE MÉRTOLA (1880)

«Sessão de vereação do dia 8 de Dezembro de 188o (extraordinária) Anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e oitenta, sendo aos oito dias do mez de Dezembro nesta villa de Mértola, nos paços do concelho, aonde se achavão presentes o vice-Prezidente da Camara municipal, Bartholomeu Jozé Pereira, e os veriadores António Gonsalves Feliz, Jozé Mendes e Mathias Jozé da Palma, faltando o Prezidente Francisco Jozé da Palma e os veriadores Francisco Jozé Pereira e António Barão da Costa, pela uma hora da tarde o vice-Prezidente occupou o logar da prezidência, abrio a sessão e depois de lida e approvada a acta da anterior foi prezente à Camara o seguinte...
Foi prezente Francisco da Costa Sousa, fabricante de relógios estabelecido na cidade de Lagos, e disse que tendo-lhe constado que esta Camara pretendia comprar um relógio para a torre desta villa, resolvera vir pessoalmente entender-se com a Camara para contratar a compra dum relógio que fabricara e possuia em muito boas condições. E entrando-se em contrato, e depois de explicações trocadas entre a Camara e o dito Sousa concordarão no seguinte: Que o relógio ficava ajustado pelo preço de cento e cincoenta mil reis livres para o vendedor; Que o mesmo fabricante viria collocá-lo na torre, obrigando-se a Camara às despezas do transporte do relógio para esta villa, as da vinda do dito Sousa a esta villa e do regresso a Lagos e às de hospedagem enquanto estiver nesta villa para o dito serviço; Que o mesmo vendedor do relógio ficava obrigado e responsável por tempo de um anno a contar de hoje à sua custa a remediar alguma falta que porventura se descubra no relógio em contrário do que afiança, e que se prove seja por sua parte, salvo se a falta for causada pelo encarregado do relógio. E concordando reciprocamente nas referidas condições em que tambem tomou responsabilidade Jozé da Costa e Sousa, filho do dito vendedor e fabricante de relógios que se achava prezente, se lavrou esta declaração do contrato e sendo lido foi ratificado por todos e assignado pela Camara e pelos ditos Francisco da Costa e Sousa e por seu filho Jozé da Costa e Sousa que tomarão iguais responsabilidades no prezente contrato.

[Seguem-se as assinaturas]».